A VERDADEIRA ELITE!

A VERDADEIRA ELITE!

por LUIZ EDUARDO LAGES


LUIZ EDUARDO LAGES

LUIZ EDUARDO LAGES

O Bangu, clube que outrora era uma grande fábrica de craques (surgido de uma excelente fábrica de tecidos), sempre foi uma agremiação voltada para a verdadeira função socializante do futebol. De fato, o FUTEBOL ASSOCIADO (verdadeiro nome do esporte-rei), é uma prova do sentido de conjunto e do prevalecimento da união sobre o egoísmo e o individualismo. É, ao contrário do tênis, a antítese da filosofia do elitismo, onde o falso poder da auto-suficiência é exercido, manipulando e subjugando as massas.

Com este conceito democrata e neste sentido, tanto o Bangu (e o time de Moça Bonita historicamente é um dos grandes do futebol brasileiro), como o Vasco da Gama, entre os clubes considerados, por tradição esportiva, competitivos da cidade do Rio de Janeiro, sempre colaboraram para a formação de times, onde os membros de todos os segmentos da sociedade estivessem envolvidos e fossem bem-vindos, possibilitando o surgimento de uma verdadeira elite no futebol da cidade, que depois acabou ajudando de uma maneira definitiva a consagrar o Brasil como o melhor do mundo no esporte mais globalizado do planeta.

Quando o futebol engatinhava na nossa cidade, o panorama era esquálido. Pouca gente tinha acesso ao jogo, às regras, e tudo aquilo que poderia custar algum dinheiro, como uniformes, bolas e tudo que se referia ao esporte que nascia, numa cidade ainda bastante provinciana. O quadro era desanimador e a mentalidade, pior ainda. Só os ricos podiam jogar e presenciar aqueles jogos. Quando formaram a primeira liga no Rio de Janeiro (e o Bangu foi um dos fundadores), o povo trabalhador não podia participar dos grandes clubes à época, que eram racistas e elitistas. O mesmo acontecia em São Paulo, assim como em outros estados da nação.

Sem dúvida, a história marcou negativamente e por um bom tempo a existência de todos estes clubes, segregacionistas desde sua origem, com muitos deles, lamentavelmente, ainda teimando a permanecerem com estas atitudes próprias de uma profunda debilidade mental, talvez achando que conseguiriam enganar com formas "mascaradas" e uma atitude sutil, os torcedores e adeptos do futebol. Acostumados com estes erros e injustiças, que sempre foram comuns e visíveis no pouco que restou desta sociedade hipócrita (que acabaram por conduzirem o país ao infinito abismo do presente), pensam poder, até mesmo depois da globalização, esconder, ainda que tacitamente e de uma forma não menos criminosa, permanecendo assim até hoje.

Como se tudo isto não bastasse, até agora, tudo mudou apenas no rótulo, sem modificar a base que foi a raiz causadora desta mentalidade podre, sem considerar, ao menos, qualquer tentativa em reverter esta trágica realidade, apesar dos acordos assumidos e assinados com muitas instituições, entre elas duas em meio a tantas, que combatem com apelos e regras: a FIFA (órgão que controla o futebol internacional desde 1904, ano de sua fundação) e a ONU! Parece óbvio, sem deixar de ser ridículo, que o país nem mesmo haveria de respeitar as próprias leis constitucionalizadas em sua própria área do direito cívil e que desde há bastante tempo são ainda mais claras, contendo toda a informação, com todos os detalhes transparentes e incentivados, não somente no Brasil, como igualmente em todo o mundo. Desta mesma forma e intenções, também jamais deixaram de ter a máxima transparência nas citadas regras da FIFA, assim como nunca foram tão bem redigidas, divulgadas e incentivadas no texto contido sobre os direitos humanos, consagrado pelas Nações Unidas, ao condenar oficialmente qualquer tipo de segregação e, exaustivamente, promulgado pelo mundo afora, em todos os continentes. Só mesmo num lugar sem seriedade, como eternamente parece ser o Brasil, o país que foi durante anos conhecido e bastante admirado como sendo uma promessa de gigante do futuro, acabar transformando-se numa piada (aliás, de muito mal gosto), com nível e dimensões mundiais, terminando por estigmatizar-se atualmente como uma falsa nação emergente, que sabe reclamar com calculada retórica, mas incapaz de atuar objetivamente, usando seus fartos recursos naturais e tecnológicos, com a mínima eficiência.

Apesar deste panorama de causa e conseqüências históricas, nada promissoras, os clubes que tinham no início da prática do futebol, origem nas classes trabalhadoras, como o Bangu, estavam lá e participavam formando grandes craques que haveriam de brilhar pelos gramados mundo afora. O clube surgido entre os operários da Fábrica Bangu, uma das melhores fábricas de tecidos da América do Sul na primeira metade do século 20, entre os pioneiros deste esporte que se tornaria uma paixão em todo o mundo, também fabricava jogadores aos montes e não foi à toa que craques que fizeram a história de nosso futebol, como Domingos da Guia, Fausto, Zózimo, Ademir da Guia, Paulo Borges, entre tantos outros, foram formados na escolinha do Bangu, famosa por sempre ter sido um verdadeiro celeiro de campeões. Outros mestres da bola, mesmo que provenientes de outros clubes, como o fantástico Zizinho, Parada, para citar apenas dois, deram sua colaboração vestindo a tradicional camisa alvirrubra. Zizinho foi inclusive considerado o melhor jogador do mundo em 1950, quando foi o craque daquela Copa, já envergando as cores banguenses. É, para muitos, o maior craque brasileiro depois de Pelé e seguramente o era antes da chegada do atleta do século e não somente no mundo do futebol.

Assim como o Bangu, o Vasco da Gama quebrava tabus. Foi expulso da liga (quando era o atual campeão) em 1924 pelos "elitistas" daquela época comandados pelo Fluminense, que manipulava os "corredores" do futebol carioca por ter seus dirigentes manobrando a Federação oficial da metrópole, reconhecida pela então CBD (hoje CBF), tendo contado desta maneira suja e desleal com a ajuda de Botafogo, Flamengo e America para eliminar o clube cruzmaltino, simplesmente por ser democrata e aceitar jogadores de todas as etnias, classes sociais e com todas as correntes ideológicas. Como resposta, o Vasco construiu o maior estádio da América do Sul à época, e teve de ser aceito por sua grandeza, inerente e proveniente das camadas populares. Este mesmo estádio, conhecido até hoje como o "colosso de São Januário", foi durante muito tempo o maior do Brasil e é até hoje o maior estádio privado (de propriedade do próprio clube) do Estado do Rio de Janeiro.

Não podia deixar de registrar aqui que os clubes chamados "pequenos", que sempre lutaram contra todo o tipo de armação dos homens que dirigem (sic!) o nosso combalido futebol, também colaboraram e colaboram até hoje com a revelação de grandes jogadores. A análise objetiva dos fatos não deixa a mínima dúvida. Não é por acaso que Romário veio do Olaria e Ronaldinho do São Cristóvão. Os dois foram os craques dos dois últimos Campeonatos do Mundo, a maior competição esportiva do planeta. Romário foi o craque absoluto da Copa de 94, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato e Ronaldinho foi, também eleito, o craque da última Copa, quando o Brasil conquistou, pela segunda vez, o vice-campeonato. Como se vê, nem seria preciso ir ao início da história, nem mesmo ao começo do profissionalismo, para valorizarmos os clubes de menor porte.

Ainda assim, não custa lembrarmos que Leônidas da Silva, que começou no Sírio e Libanês e se revelou no Bonsucesso e Didi, que veio do Americano de Campos, tendo aparecido no Madureira, foram dois cracaços consagrados, em meio à uma constelação, vinda dos menores clubes. Alguma objeção quanto ao valor dos clubes de pequeno investimento? Não! Nenhuma pessoa de bom senso poderia contestar a evidência dos fatos. Isto sem levar em conta que estes clubes jogam quase sempre contra juízes, público, a estrutura muito maior dos clubes de grandes investimentos e, o que é pior, contra os grandes interesses financeiros que injustamente regem nosso esporte mais popular nos dias de hoje. E que num país com grande injustiça social, como desde sua origem é o caso do Brasil, os problemas refletem ainda mais nas classes produtivas, que são as classes trabalhadoras, de onde vêm estes mesmos atletas dos clubes considerados "pequenos".

Finalizando, acho por tudo que foi dito explicitamente acima, o que acontece constantemente com algumas das "grandes" agremiações do nosso futebol, formadas de uma pseudo-aristocracia, de uma falsa elite, é lógico e justo, não merecendo estes clubes exigirem privilégios para permanecerem em divisões quando os resultados não forem conquistados no campo. Por serem produtos e terem coexistido num passado segregacionista e consequentemente repugnante, seus dirigentes deveriam pensar nos erros do passado, para não voltarem a cometer tamanha injustiça no presente. Num futuro democrático e organizado (como todos sempre esperam), deveria prevalecer a verdadeira elite. E esta, não é, nem nunca foi, formada por este tipo de mentalidade.

FIM

Texto: LUIZ EDUARDO LAGES, jornalista, cronista e historiador

Fonte: http://www.algonet.se/~lages/coluna1.htm, escrito em 12/11/1998

Nota: texto de Luiz Eduardo Lages, escrito em 12/11-1998 e ofertado para publicação ao site não oficial do Bangu (bangu.net), que é considerado o melhor e mais completo site do clube na internet e uma das mais informativas páginas de clube em toda a rede! Quando publicou seu primeiro site na internet em 1/1-1996, Luiz Eduardo Lages tinha como endereço eletrônico http://www.algonet.se. E quando editou e publicou "A Verdadeira Elite", o link para chegar direto ao artigo era http://www.algonet.se/~lages/coluna1.htm.

Link: BANGU ATLÉTICO CLUBE

Link para a crônica "A Verdadeira Elite!", de Luiz Eduardo Lages,
na página BANGU.NET: A VERDADEIRA ELITE!

 

BANGU ATLÉTICO CLUBE

BANGU ATLÉTICO CLUBE

FUNDADO EM 17 DE ABRIL DE 1904

(Rio de Janeiro - Brasil)

SITE OFICIAL DO BANGU ATLÉTICO CLUBE

SEÇÃO ALTERNATIVA DO BANGU ATLÉTICO CLUBE

CRÔNICA INTITULADA "DOMINGOS DA GUIA E SEU FILHO ADEMIR, ORGULHOS DA ESCOLA DO BANGU", ESCRITA EM 8 DE ABRIL DE 2013, por Luiz Eduardo Lages

A SELEÇÃO, TITULAR E RESERVA, DE LUIZ EDUARDO LAGES

DO BANGU ATLÉTICO CLUBE

DE TODOS OS TEMPOS (NÚMERO DA CAMISA ENTRE PARÊNTESES):

TITULAR:

UBIRAJARA (C)(1);

FIDÉLIS (2), DOMINGOS DA GUIA (3), ZÓZIMO (4), ARI CLEMENTE (6);

FAUSTO DOS SANTOS (5), ADEMIR DA GUIA (10);

ZIZINHO (8);

PAULO BORGES (7), PARADA (9), ALADIM (11).

RESERVA:

ERNANI (1);

JOEL MARTINS (2), MÁRIO TITO (3), LUIZ ALBERTO (4), NILTON DOS SANTOS (6);

OCIMAR(5), ROBERTO PINTO (10);

DÉCIO ESTEVES (C)(8);

MARINHO (7), LADISLAU (9), NÍVIO (11).

TÉCNICO: TIM (Elba de Pádua Lima).

OBSERVAÇÃO: 8 jogadores desta seleção banguense titular de todos os tempos, a saber: UBIRAJARA, FIDÉLIS, DOMINGOS DA GUIA (terceiro colocado na III Copa do Mundo, primeira colocação oficial do Brasil no Campeonato do Mundo), ZÓZIMO (bicampeão do mundo pelo Brasil nos dois primeiros títulos mundiais absolutos, defendendo a seleção brasileira principal como reserva de Orlando, na VI Copa do Mundo, realizada na Suécia em 1958 e defendendo este título vigente, ou seja, como atual campeão do mundo, obtido quatro anos antes na Suécia, desta vez, na VII Copa do Mundo, como titular absoluto, jogando todos os jogos do bicampeonato desta gloriosa VII Copa do Mundo de 1962, realizada no Chile. Zózimo, em ambos os títulos seguidos de Campeão Mundial pelo Brasil, era jogador do Bangu, onde jogou durante tantos anos com total eficiência). Dando sequência, FAUSTO DOS SANTOS, ADEMIR DA GUIA (quarto colocado na X Copa do Mundo, defendendo o Brasil, nesta edição levada a efeito na Alemanha Federal, então também conhecida como Alemanha Ocidental), PAULO BORGES e ALADIM. Todos estes 8 jogadores, sem excessão, são produtos e foram revelados pela gloriosa escolinha de futebol do Bangu! Os outros três, a saber, Ari Clemente, Zizinho e o craque Parada, apesar de terem vindo depois de passarem por outros clubes, atingiram seu apogeu na tradicional agremiação alvirrubra da Zona Oeste. Zizinho, o maior craque da história do Bangu, foi considerado o melhor jogador da Copa do Mundo de 1950 representando na seleção brasileira o Bangu Atlético Clube e, mais que isto, foi considerado pela crônica internacional e pela FIFA o melhor jogador do planeta depois do vice-campeonato mundial conquistado pelo Brasil naquele ano. Por tudo, Zizinho está nesta seleção de Luiz Eduardo Lages, hipoteticamente, numa posição livre para atuar dentro do campo, num sistema 4-2-1-3, configuração que pode sempre ser variada de acordo com cada adversário, dependendo também das circunstâncias de cada partida. Isto tudo, ou seja, configuração, sistema tático, numeração e tudo o mais vale também para a seleção reserva do Bangu de todos os tempos.

Em tempo, voltando ao time titular de todos os tempos destes supercraques nesta seleção de ilustres banguenses, vale citar algumas alcunhas que ficaram famosas internacionalmente como Domingos da Guia, "o divino mestre", Ademir da Guia, seu filho, "o divino", Zizinho, "mestre Ziza" e Fausto dos Santos, "a maravilha negra", esta dada na Europa quando de sua passagem pela Espanha, brilhando no Barcelona. Muito importante notar também que todos na seleção principal de todos os tempos do Bangu Atlético Clube, de Luiz Eduardo Lages (quem vos escreve), estiveram e serviram com sucesso à seleção principal do Brasil. Quanto ao capitão do time, não resta a mínima dúvida: Ubirajara! Com a visão que sempre teve do campo inteiro, com calma para pensar e interagir, não foi por acaso que exerceu esta função por tanto tempo no Bangu, inclusive no indiscutível título de 1966, quando o alvirrubro, gigante da Zona Oeste, pulverizou todos os adversários, mostrando ao longo daquele campeonato dos "anos dourados", uma superioridade incontestável.

 

BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS (B.F.R.)

FUNDADO EM 1894 (REGATAS) E 1904 (FUTEBOL)

(Rio de Janeiro - Brasil)

O Botafogo de Futebol e Regatas foi o clube do almirante Mario Luiz de Lima Lages, durante toda sua vida, tendo ele sempre freqüentado todos os departamentos do Glorioso, incentivando e dirigindo muitos destes departamentos esportivos! Mario Luiz, além de sócio-proprietário, recebeu em 1991, merecidamente, o título de benemérito do alvinegro da estrela solitária, contribuindo de forma marcante no dia a dia deste grande símbolo de fama internacional, com uma história conhecida e respeitada em todo o mundo. Além disso, Mario Luiz de Lima Lages presenteou seus filhos e netos com o título de sócio-proprietário do Botafogo de Futebol e Regatas.

O almirante Mario Luiz de Lima Lages, falecido em novembro de 1997, é até hoje grande referência no seu clube e no esporte em geral, assim como foi em sua vida, tendo sido, ao mesmo tempo, amigo e conselheiro de seus filhos. O Botafogo é conhecido no mundo inteiro, entre tantos outros méritos esportivos, por ter fornecido, juntamente com o Santos, o maior número de atletas nos dois primeiros títulos mundiais da seleção brasileira (1958 e 1962), assim como num todo, entre os que mais cederam jogadores no pentacampeonato mundial (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). O Botafogo está, igualmente com a mesma relevância, também entre os clubes que mais contribuiram com atletas para o time principal do Brasil em jogos oficiais e amistosos, cedendo treinadores, preparadores físicos, médicos e tudo que fosse preciso ou necessário. Vide aqui na página intitulada "Brazil in the World Cup", do autor deste site.

Através deste modesto texto acima, quando me refiro ao Botafogo, fica aqui uma singela homenagem ao meu pai, almirante Mario Luiz de Lima Lages, benemérito do clube, um pai que acima de tudo, foi meu melhor amigo!

TEXTO: LUIZ EDUARDO LAGES, jornalista, cronista e historiador

 

A SELEÇÃO DE LUIZ EDUARDO LAGES, TITULAR E RESERVA,

DO BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS DE TODOS OS TEMPOS

(NÚMERO DA CAMISA ENTRE PARÊNTESES):

TITULAR:

MANGA (1);

CARLOS ALBERTO TORRES (4), BRITO (2), NILTON SANTOS (3), RILDO (6);

DANILO ALVIM (5), DIDI (8), GÉRSON (10);

GARRINCHA (7), JAIRZINHO (9), AMARILDO (11).

TÉCNICO: ZAGALLO (MÁRIO JORGE LOBO ZAGALLO).

RESERVA:

JEFFERSON (1);

JOEL MARTINS (4), ZÉ MARIA (2), LEÔNIDAS (3), VALTENCIR (6);

AIRTON (5), PAULO CÉSAR LIMA (8), ZAGALLO (11);

ROGÉRIO (7), PAULINHO VALENTIM (9), QUARENTINHA (10).

TÉCNICO: PAULO AUTUORI.

OBSERVAÇÃO: NUMERAÇÃO DAS CAMISAS (SELEÇÃO TITULAR E SELEÇÃO RESERVA) PELA TRADIÇÃO DO BOTAFOGO, QUER DIZER, COMO ERA USADA NO APOGEU DO CLUBE. EXEMPLO: O LATERAL-DIREITO USAVA O NÚMERO 4, O ZAGUEIRO-CENTRAL O NÚMERO 2, O QUARTO-ZAGUEIRO O NÚMERO 3. VIDE ESCALAÇÕES DOS DOIS TIMES ACIMA!

 

 

 

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