PEDIGREE DE JOIOSA

PEDIGREES DE PRODUTOS BRASILEIROS
por Luiz Eduardo Lages

JOIOSA

Pedigree de JOIOSA

Joiosa, nascida em 1950, criação do Haras Santa Annita, em Bananal, São Paulo e de propriedade do Stud Rocha Faria, foi, de longe, o melhor produto de sua geração e, até sua época, pela minha análise, a melhor égua brasileira de todos os tempos! Na classificação dos 202 melhores produtos brasileiros do Século 20, Joiosa está em 30º lugar, sendo a terceira égua da minha listagem, somente atrás de, pela ordem, Immensity e Riboletta. Treinada pela histórica dupla, Professor João Vieira e Jorge Morgado, foi apresentada a correr em 17 oportunidades, tendo vencido 10 corridas, das quais 9 clássicas, inclusive muitos clássicos que seriam classificados hoje como de Grupo 1, como veremos mais adiante. Teve ainda 3 segundos e 2 terceiros, com apenas duas descolocações no último ano de campanha quando já não era a mesma, estava em plena decadência e mesmo assim, estas descolocações foram nos GG.PP. "São Paulo" e "Brasil" de 1955, quando, apesar de tudo, não correu de todo mal. Despediu-se honrosamente das pistas, considerada pela grande maioria dos especialistas como tendo sido a melhor entre as melhores éguas nascidas e criadas no Brasil.

Observem como perdeu incrivelmente Joiosa, analisando as três fotos do Grande Prêmio Brasil de 1954, publicadas aqui, abaixo! E também, a título de curiosidade, como estava superlotado o hipódromo naquela época do apogeu de nosso turfe. E notem que estava concorrido não somente em todas as tribunas, mas em todos os lugares! Por exemplo, na pelouse e no pião do prado não cabia mais praticamente ninguém...

Vejam depois, a seguir às fotos, o pedigree de Joiosa, que perdeu o "Brasil 1954" em cima do disco para o craque argentino El Aragonés, cavalo consagrado, tendo obtido também, entre outras grandes vitórias, os êxitos no "Gran Premio Carlos Pellegrini de 1953" e o "Grande Prêmio IV Centenário da Cidade de São Paulo" em 1954, durante os festejos do quarto centenário de fundação da capital paulista.

Ainda é obrigatório acrescentar nesta pequena resenha sobre Joiosa, além de ter sido (agora, valendo até hoje), uma das maiores éguas brasileiras de todos os tempos e também dos melhores animais que atuaram na Gávea, independente de sexo e nacionalidade, os seguintes detalhes: esta valente castanha dos áureos tempos de minha infância e do Stud Rocha Faria (se saudade matasse...) foi a única égua a ganhar os dois Derbies mais importantes do turfe brasileiro, "Grande Prêmio Cruzeiro do Sul" (Hipódromo da Gávea, Rio de Janeiro) e "Grande Prêmio Derby Paulista" (Hipódromo de Cidade Jardim, São Paulo), isto até a atualidade! Quase Tríplice-Coroada, ganhou os "Derby" e "St. Leger" (então Grande Prêmio Distrito Federal) no Rio, porém foi "somente" segunda colocada nos "2000 Guineas" na Gávea, perdendo por ter tido um mau percurso para Retiro o outrora Grande Prêmio Outono, atual "Estado do Rio de Janeiro" (como escrevi acima, os "2000 Guineas" cariocas e brasileiros, visto ser assim considerado quando o Rio de Janeiro era a capital do país). Tivesse ganho, teria sido, juntamente com Jacutinga em São Paulo, as únicas do sexo feminino a conquistarem o galardão de Tríplice-Coroadas no Eixo Rio-São Paulo (ambos os sexos) e a única égua Tríplice-Coroada de Produtos até hoje no Hipódromo da Gávea! Jacutinga conquistou a Tríplice-Coroa Paulista no antigo Hipódromo da Mooca e é até os dias de hoje a única potranca a conquistar em São Paulo a Tríplice Coroa de Produtos (machos e fêmeas)!

Como não bastasse, além das vitórias nos GG.PP Cruzeiro do Sul e Derby Paulista, obviamente hoje classificadas internacionalmente como de Grupo 1, conquistando, como visto acima, um double de Derby inédito em se tratando de uma fêmea, e o Grande Prêmio Distrito Federal (St. Leger brasileiro naquela época), Joiosa venceu também as provas mais seletivas para éguas, ou seja, os "Grande Prêmio Diana" (Oaks brasileiro, na Gávea), "Grande Prêmio Henrique Possolo" (1000 Guineas brasileiros, na Gávea), e o aberto à todas as idades "Grande Prêmio Marciano de Aguiar Moreira" (Brasil das éguas, então com esta denominação, corrido no Hipódromo da Gávea). Todas estas provas, igualmente classificadas como de Grupo 1 pelo Catálogo Internacional da "Federação Internacional de Autoridades Hípicas", com sede em Paris. Completando suas vitórias clássicas, Joiosa tem no currículo os Clássicos "Barão de Piracicaba" e "Luiz Alves de Almeida" e o "Prêmio Paulo César".

Foi segunda colocada (a par dos acima bem comentados e analisados "Grande Prêmio Brasil" e "Grande Prêmio Outono" - 2000 Guineas brasileiros, ambos expoentes e fundamentais no calendário clássico de Grupo 1 desde que foi instituída a classificação das provas de grupo) no grande clássico, "Grande Prêmio Linneo de Paula Machado" (Grande Criterium brasileiro na Gávea), Grupo 1, e terceira colocada no "Grande Prêmio F. V. de Paula Machado" (Criterium de Potrancas), Grupo 2, e também no Clássico Pereira Lima, no Hipódromo da Gávea.

Joiosa, filha do inglês Romney, na uruguaia Princess, por Socorro!, nascida em 1950 (ver detalhes no pedigree anexado aqui), se tivesse vencido o Grande Prêmio Brasil de 1954, teria sido a primeira brasileira a fazê-lo. Perdendo por pequena margem (paleta no disco), foi, naquela data, a nacional que tinha chegado mais perto de conquistar a prova máxima do turfe brasileiro! Todos que assistiram, partindo obviamente de uma opinião imparcial, totalmente descomprometida, sabem que Joiosa somente perdeu pelas conseqüências do percurso e os contornos do destino. Foi injustamente batida pelas peripécias muito acidentadas desta carreira antológica, que entrou na mitologia de nosso turfe com todo o mérito e justiça! Derrota honrosa, por escassa margem (vejam as fotos), devido às rodadas de Titanic e Efusivo bem à sua frente, quando ela ajoelhou batendo com os joelhos fortemente no chão, quase caindo, perdendo neste funesto lance, no mínimo três corpos, justamente quando iniciava sua fulminante arrancada no início da reta final, cerca de 600 metros do disco. Seu jóquei, o excepcional bridão chileno Emigdio Castillo, havia calculado divinamente todo o percurso e o momento de iniciar sua atropelada. Com um percurso normal, teria acrescentado ao seu fascinante e fabuloso currículo o inalcançável mérito de ter sido a primeira brasileira a vencer a prova máxima de nosso turfe, mundialmente conhecida entre as melhores de Grupo 1 no Hemisfério Sul!

El Aragonés, por fora, domina Joiosa

Chegada vista por um ângulo diferente. El Aragonés, por fora, domina Joiosa. Depois Bakari, Quasi, o francês Yorick, Panther e os demais.


Numa luta titânica, El Aragonés e Joiosa aproximam-se do disco

Numa luta titânica, El Aragonés e Joiosa aproximam-se do disco no histórico G.P. Brasil de 1954.


El Aragonés mantém paleta sobre Joiosa, que seguiu lutando até o fim

El Aragonés mantém paleta sobre Joiosa, que seguiu lutando até o fim. Um Grande Prêmio Brasil antológico acaba de entrar para a história!


JOIOSA
(1950)

HARAS SANTA ANNITA - SP - BRASIL

FAMÍLIA: 5-h


ROMNEY
1940
(GB)
gr.
MAHMOUD
1933
(FR)
gr.
BLENHEIM
1927 (GB)
br.
BLANDFORD
1919 (IRE) br.
SWYNFORD 1907 (GB) dkb/br.
BLANCHE 1912 (GB) b.
MALVA
1919 (GB) b.
CHARLES O'MALLEY 1907 (GB) dkb/br.
WILD ARUM 1911 (GB) b.
MAH MAHAL
1928 (GB)
gr.
GAINSBOROUGH
1915 (GB) b.
BAYARDO 1906 (GB) b.
ROSEDROP 1907 (GB) ch.
MUMTAZ MAHAL
1921 (GB) gr.
THE TETRARCH 1911 (IRE) gr.
LADY JOSEPHINE 1912 (GB) ch.
LOVER'S PATH
1934
(GB)
b.
FAIRWAY
1925 (GB)
br.
PHALARIS
1913 (GB) br.
POLYMELUS 1902 (GB) b.
BROMUS 1905 (GB) b.
SCAPA FLOW
1914 (GB) ch.
CHAUCER 1900 (GB) br.
ANCHORA 1905 (GB) ch.
TRUSTFUL
1924 (IRE)
ch.
BACHELOR'S DOUBLE
1906 (GB) ch.
TREDENNIS 1898 (GB) ch.
LADY BAWN 1902 (GB) ch.
CREDENDA
1915 (IRE) ch.
CELLINI 1908 (GB) ch.
BALLYGLASS 1904 (IRE)
PRINCESS
1939
(URU)
b.
SOCORRO!
1931
(URU)
ch.
TOM PEARTREE
1926 (GB)
ch.
GAINSBOROUGH
1915 (GB) b.
BAYARDO 1906 (GB) b.
ROSEDROP 1907 (GB) ch.
SOUBRIQUET
1919 (GB) ch.
LEMBERG 1907 (GB) b.
SILVER FOWL 1904 (GB) ch.
SIERRA CHICA
1925 (ARG)
b.
SPIKE ISLAND
1919 (GB) b.
SPEARMINT 1903 (GB) b.
MOLLY DESMOND 1914 (GB) b.
VALANCIA
1915 (ARG) b.
VAL D'OR 1902 (FR) b.
PETULANCIA 1911 (ARG)
PALOMITA BLANCA
1929
(ARG)
b.
RICO
1919 (ARG)
ch.
PICACERO
1912 (ARG) b.
BRIDGE OF CANNY 1903 (GB) b.
PICARA 1899 (ARG) b.
REALEZA
1912 (ARG) b.
OLD MAN 1901 (ARG) ch.
RETICENCE 1902 (FR) b.
PALOMA PARA
1923 (ARG)
b.
LARREA
1907 (ARG) b.
JARDY 1902 (FR) b.
MUÑECA 1896 (ARG) ch.
FRANELA
1914 (ARG) b.
DRUID 1898 (ARG) ch.
FUGA 1905 (ARG)

 

Copyright © LUIZ EDUARDO LAGES


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